Planejamento é decisivo para quem vai investir na fruticultura
BELO HORIZONTE (24/2/2026) - A fruticultura tem despertado o interesse de produtores rurais em diversas regiões de Minas Gerais por gerar renda e emprego em áreas relativamente pequenas. No entanto, para que o investimento seja bem-sucedido, o planejamento precisa começar com meses de antecedência. O alerta é do coordenador de fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio.
“De modo geral, o plantio das mudas frutíferas deve ser feito a partir de setembro, quando começa o período chuvoso. Para chegar nesse momento com tudo pronto, o planejamento precisa começar agora”, explica.
Segundo ele, a fruticultura é uma atividade altamente tecnificada e não admite improvisos. “Quando o produtor não planeja, ele só percebe os erros depois que o pomar já está implantado, e aí muitas vezes não tem mais como corrigir.”
Mudas
O primeiro passo é a definição da cultura a ser implantada e a verificação se ela é indicada para a região, por meio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), disponível no site do Ministério da Agricultura. “Hoje, todas as linhas de crédito exigem que a cultura esteja no zoneamento. Se não estiver, o produtor não consegue financiamento nem seguro, tendo que arcar com recursos próprios todos os investimentos e custeio”, destaca Sanábio.
Outro ponto essencial é a aquisição das mudas. A maioria das frutíferas é implantada por mudas, que devem ser adquiridas de viveiristas credenciados. “Produzir muda exige tecnologia, conhecimento e cuidado sanitário. O ideal é comprar de quem já trabalha com isso, mas é preciso se planejar, porque muitos viveiros trabalham com encomenda feita com meses de antecedência. Deixar para procurar mudas na época do plantio pode resultar em falta de oferta ou preços mais elevados”, orienta.
A escolha do local do pomar também influencia diretamente o resultado. “Planta frutífera é de pleno sol. Áreas sombreadas, solos rasos ou com drenagem ruim comprometem a produtividade e a qualidade do fruto. Ou nem chega a produzir”, afirma.
O preparo do solo é uma das etapas mais sensíveis da implantação do pomar. Deny Sanábio chama atenção para o coveamento. “A cova é o berço da planta e deve ser feita de 70 a 90 dias antes do plantio, com as correções e adubações necessárias, para que os nutrientes estejam disponíveis quando a muda for plantada”, explica.
A análise de solo é indispensável para definir corretamente a nutrição. “Sem análise, é chute. O excesso de nutriente pode ser ainda mais prejudicial do que a falta, porque depois não tem como retirar”, alerta.
Após o plantio, o manejo precisa ser contínuo e planejado. As podas fazem parte desse processo desde o início. “A planta não pode crescer ao natural. A poda de condução é fundamental para direcionar o crescimento, melhorar a produção e garantir qualidade”, ressalta. O espaçamento correto entre plantas também deve seguir recomendações técnicas, evitando competição e perda de produtividade.
Mercado
O planejamento do pomar deve considerar ainda o mercado. “Antes de plantar, o produtor precisa saber para quem vai vender. O mercado é competitivo e seletivo, e quem não entrega qualidade acaba vendendo mais barato ou não vendendo”, afirma Sanábio.
Ele também lembra que existem linhas de crédito rural específicas para a fruticultura, voltadas ao investimento, com prazos de carência que variam conforme a cultura. “É importante procurar os agentes financeiros com antecedência, principalmente para quem está iniciando na atividade.”
O ponto de colheita é outro fator decisivo. “Toda fruta tem o ponto certo de colher. Se colher fora desse ponto, a qualidade cai e o mercado penaliza”, explica. Para o coordenador, produtividade e qualidade precisam caminhar juntas para garantir rentabilidade.
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Fotos: Divulgação Emater-MG
Publicado em: 24/02/2026
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