Com produção de até 100 litros de leite por dia, propriedade se tornou referência

 

BELO HORIZONTE (31/3/2021) – No município de Natalândia, região Noroeste de Minas Gerais, um caso bem-sucedido de um trabalhador rural que conseguiu ter o seu próprio pedaço de terra, transformando em uma propriedade diversificada, está chamando a atenção. Jovando Baldoíno da Silva, 45 anos, casado, pai de seis filhos, se transformou em um empreendedor rural.

Ele é dono de uma propriedade rural de 7,5 hectares. Com um rebanho de 18 cabeças de gado leiteiro, entre matrizes, novilhas, bezerras e um touro, Jovando consegue ter uma produção média diária de 80 a 100 litros de leite ou mais. O leite é vendido para uma empresa de laticínios da cidade. Ele ainda cria galinhas, porcos e cultiva pequenas lavouras de milho e feijão para o consumo da família.

 

O começo

Baldoíno é atendido desde 2012 pela Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Foi por meio da assistência da empresa pública mineira que ele conseguiu acessar recursos de programas federais para investir no sítio e assim dar a largada no próprio empreendimento, conquistando mais renda e qualidade de vida para a família. 

“A Emater me ajudou muito. Encaminhou tudo pra mim. Eu moro a vida toda na roça e não entendia quase nada. Tinha um terreninho aqui, que comprei a prazo, com meu trabalho de pedreiro, mas não tinha pasto, gado, nem cerca tinha”, resume.

Segundo o extensionista agropecuário do escritório local da Emater-MG em Natalândia, Waldemiro José de Oliveira, tudo teve início com o cadastramento de Baldoíno no Programa Luz Para Todos, atendendo pedido do próprio trabalhador.  O Luz Para Todos tem por objetivo levar energia elétrica em regiões rurais e é realizado em parceria com governos estaduais. Depois, novamente com a assistência da Emater, Jovando Baldoíno foi inserido no Programa Brasil Sem Miséria (BSM) e posteriormente no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), para obtenção de crédito rural.

“Quando fiz o cadastro dele no Luz Para Todos, nem casa ele tinha no sítio. Eram só quatro esteios e um telhadinho quase caindo. Eu achei um desafio muito grande e me chamou a atenção pela humildade, simplicidade. Ele é muito dedicado à família e ao trabalho. O local não tinha pastagem, a área era de cerrado e a terra bastante fraca. Em 2013, ele começou a construir a casa”, conta Waldemiro.

O técnico da Emater-MG conta que, com o recurso de R$2,4 mil do BSM, Jovando deu os primeiros passos, comprando duas novilhas. O acesso ao Pronaf foi outro estímulo, pois com o crédito rural, o produtor melhorou a pastagem do local e comprou mais seis novilhas e assim seguiu aumentando o rebanho.

Antes ele morava de favor na casa de um amigo. Ainda trabalhava de pedreiro e prestava serviço de diarista aos vizinhos para sustentar a família, uma vez que o sítio não produzia.  Agora os resultados são evidentes. Houve melhoria da qualidade de vida da família do agricultor com casa própria. A propriedade também conta com curral de manejo, tanque de expansão, poço artesiano e energia elétrica.

Atualmente, segundo o técnico da Emater-MG, só com a comercialização do leite, o produtor tem uma renda média mensal em torno de R$5,4 mil. Fora a venda de bezerros e vacas.

Capineira

Jovando não abre mão de técnicas ensinadas pela Emater-MG para melhorar a produtividade de sua atividade leiteira. Ele recebeu da empresa de extensão rural mineira mudas de capim elefante, de alta produtividade e valor protéico, desenvolvidas pela Embrapa. Em um período de dois anos, o produtor formou uma capineira irrigada em uma área de 1,2 hectare, com a cultivar BRS Capiaçu.

Hoje ele tem uma forrageira ideal para silagem, que usa na alimentação do gado na época de seca e em outros períodos do ano, quando a pastagem fica escassa. “Como estamos numa parte de cerrado, tem que ser esse capim. Uso para fazer silagem e dar para as vacas”, afirma Jovando Baldoíno.

 

 

As mudas do capim da propriedade também foram compartilhadas com outros produtores de Natalândia e municípios vizinhos. Mais de 300 produtores já levaram mudas do capim Capiaçu.  “A partir das mudas de forrageiras doadas pelo produtor, vários outros agricultores formaram suas capineiras e hoje possuem estratégia de produção de forragem para suplementação alimentar dos bovinos”, explica Waldemiro de Oliveira.

De acordo o técnico, a atividade leiteira e o bem-estar animal no município estão mais fortalecidos. “Natalândia tornou-se multiplicadora das forrageiras Capiaçu e Kurumi, ofertando para outros municípios”, afirma.

A propriedade de Baldoíno também se tornou uma unidade demonstrativa do Projeto Piloto, parceria entre a Emater-MG e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), e que serve para demonstrações de tecnologias e de inspiração a outros produtores locais. O empreendimento rural é um caso de experiência de sucesso com a utilização de tecnologias importantes, como o pastejo rotacionado, capineira irrigada, confecção de silagem e armazenamento próprio para o leite. “Com orientação, tudo que você plantar, seguindo o que é certo, como corrigir o solo, usar calcário, adubo, por exemplo, funciona”, afirma Baldoíno.

Segundo o produtor, em breve a produção de leite vai aumentar, com o nascimento de novos bezerros. Hoje ele conta com três vacas no período de gestação. “E pensar que tudo começou com a compra de duas novilhas de subsistência”, pontua o técnico agropecuário Waldemiro José de Oliveira.

MelhorAção 2020

Sob o título de “Caso de Negócio Bem-Sucedido da Ação Extensionista, no município de Natalândia”, a experiência relatada é um dos trabalhos regionais da empresa de extensão rural, agraciado pelo prêmio interno MelhorInovação de 2020. O concurso da Emater-MG elege os trabalhos desenvolvidos por seus funcionários que tenham obtido resultados relevantes para a empresa ou para seus clientes.

 

Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Jornalista responsável: Terezinha Leite

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Fotos: Divulgação Emater-MG

Publicado em: 31/03/2021



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