Emater-MG recomenda a aplicação da agricultura regenerativa e de técnicas agroecológicas como forma de manter a fertilidade dos solos





BELO HORIZONTE (01/04/26) - Em razão da guerra no Irã, os preços dos fertilizantes subiram no país, elevando os custos de produção agrícola. Diante desse cenário, o coordenador técnico estadual de Fertilidade de Solos da Emater-MG, Márcio Stoduto de Mello, acredita que é um momento oportuno para que os agricultores busquem conhecer mais sobre tecnologias alternativas como a agricultura regenerativa e as práticas agroecológicas para manter a fertilidade do solo.

De acordo com o coordenador, o país está colhendo a primeira safra de grãos, então a demanda pelos fertilizantes não é tão grande neste momento, mas é uma situação que requer atenção. “É uma situação difícil, pois o Brasil importa 85% dos fertilizantes minerais, mas temos tecnologias sustentáveis, que podem ser uma ferramenta interessante para manter a fertilidade do solo com custos menores”, diz Márcio.

O coordenador cita como alternativa sustentável a adoção do sistema de produção regenerativo, que busca restaurar a saúde do solo, recuperando ecossistemas, aumentando a biodiversidade e mantendo a produtividade, por meio de técnicas como o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de bioinsumos. “Se ao invés de revolver o solo, expondo a terra, nós usarmos o plantio direto, conservaremos mais o solo e aumentaremos a matéria orgânica. Já a calagem permite aumentar 2,5 vezes a produção de uma área. O uso de microorganismos também é muito eficiente na construção da fertilidade dos nossos solos”, cita.

Opções simples

Também há plantas que ajudam a melhorar o solo, principalmente as leguminosas (Crotalária, Feijão-guandu, Mucuna e Trevo), que em simbiose com bactérias que fixam o nitrogênio, aumentam a matéria orgânica e reciclam nutrientes. Já o uso de gesso agrícola permite que as raízes se aprofundem no solo e as raízes atinjam a água do subsolo.

“Em Minas Gerais, temos ainda uma saída interessante que é o uso de pó de rocha no solo, técnica conhecida por rochagem. Os pós de rocha, principalmente de basalto, são ricos em nutrientes e, se usados de forma adequada, são muito bem-vindos na construção da fertilidade do solo”, afirma Márcio.

Adubos naturais


Dentre as várias técnicas que permitem manter a produção e a produtividade, mesmo com a diminuição da compra de fertilizantes, destacam-se ainda os biofertilizantes, que são adubos naturais ricos em microrganismos benéficos, derivados da fermentação de matéria orgânica. “Nós vemos muito o uso dw dejeto bovino nas propriedades. Mas ao invés de espalhá-lo na pastagem com vermes e parasitas, o produtor deve tratá-lo num tanque e depois de 90 dias aplicar como biofertilizante na terra. Funciona tão bem que a esterqueira de dejetos líquidos se paga em um ano e evita a contaminação do solo e da água. Então são práticas que, com o tempo, mantêm o negócio sustentável”, argumenta o coordenador da Emater-MG.

O húmus de minhocas também é um ótimo fertilizante para manter a vida do solo. Há ainda bactérias, que extraem fósforo e potássio da rocha ou aquelas que fixam o nitrogênio que está no ar. “Não é ficar imaginando um mundo mágico. São tecnologias descobertas de muito tempo, que ajudam a beneficiar o solo. E o melhor é que os bioinsumos podem ser produzidos na propriedade rural com baixo custo”, salienta Márcio.

O coordenador orienta que o produtor procure se informar sobre essas técnicas agroecológicas, o que pode ser feito com a ajuda dos extensionistas da Emater-MG nos diversos municípios de Minas. “A idéia desse trabalho de Extensão Rural é que o produtor vá tomando conhecimento das tecnologias sustentáveis. Depois veja que são boas as práticas e daí adote aquele método. Mas é claro que o agricultor não precisa utilizar todas e nem fazer tudo de uma hora para outra”, comenta Mello.




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Fotos: Márcio Mello

Publicado em: 01/04/2026



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