Proteção de nascentes e conservação de estradas vicinais estão entre as ações

 

BELO HORIZONTE (15/7/2021) - O Brasil vive uma crise hídrica histórica. De acordo com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, o último período chuvoso foi o mais seco em 91 anos no país. Devido à irregularidade das chuvas, os reservatórios estão em níveis muito baixos e a agricultura também registra várias perdas no ano. O Lago de Furnas, no Sudoeste de Minas, encerrou o mês de junho com menos de 30% da sua capacidade e os municípios da região estão sofrendo com a diminuição da água da represa. Além do turismo, a piscicultura e a agricultura também estão sendo afetados. De olho nessa situação, a Emater-MG tem realizado diversas ações junto aos produtores para mitigar os efeitos da redução de água nas propriedades rurais da região.

A coordenadora regional de Meio Ambiente da Emater-MG em Passos, Alice Soares, comenta que as crises hídricas têm se acentuado muito nos últimos tempos na região Sudeste do país e também no Sudoeste de Minas, por isso existe uma preocupação entre os profissionais da Unidade Regional da Emater-MG com a questão da conservação da água. “Na região de Passos, temos realizado vários trabalhos, tanto em parceria com as prefeituras e municípios como outros parceiros como a Copasa e a Agência Nacional de Águas (ANA)”, diz Alice Soares.

Uma dessas iniciativas é o projeto Produtor de Águas, que é uma parceria com a ANA e prefeituras e está sendo desenvolvido nos municípios de Passos, Capitólio, Piumhi, Doresópolis e Pimenta. “A proteção de nascentes e áreas de recarga, manejo de solo e conservação de estradas vicinais são algumas das atividades realizadas. O programa Produtor de Águas prevê também o pagamento de serviços ambientais aos produtores, que aderirem ao projeto. Então é um avanço, porque o programa reconhece que, ao realizar ações de mitigação dos impactos das mudanças climáticas, os agricultores estão contribuindo para a melhoria da quantidade e da qualidade da água para toda a sociedade”, explica a coordenadora.

Outro trabalho ambiental importante é a parceria com a Copasa no programa Pró-Mananciais. O projeto ocorre em Capitólio, Cássia, Carmo do Rio Claro e Itaú e tem o objetivo de recuperar e manter as Áreas de Preservação Permanentes (APPs). “Além do Pró-Mananciais e do Produtor de Águas, realizamos ainda vários cursos de conservação de estradas rurais para funcionários de prefeituras da região. As estradas rurais malconservadas são sérios agentes poluidores, causando o assoreamento de cursos d´água”, afirma a técnica da Emater.

Bacia de captação

 

Todos podem ajudar

A coordenadora da Emater-MG diz que qualquer produtor pode ajudar no trabalho de preservação da água, fazendo bom uso do solo com técnicas de manejo e conservação. Entre essas técnicas estão o plantio em nível, construção de terraços, conservação da vegetação nativa, principalmente em áreas de recarga como topos de morro, proteção de nascentes, além de rotação de pastagens e de piquetes para diminuir a compactação do solo.

“Todas essas técnicas ajudam a promover a infiltração da água, abastecendo os lençóis subterrâneos e aumentando a quantidade de água, tanto na propriedade como na bacia hidrográfica que o terreno se insere”, explica Alice Soares.

Já alguns erros bastante comuns em propriedades rurais contribuem para a diminuição da água numa fazenda. “O maior problema encontrado é o mal uso do solo. Em solos compactados não ocorre a infiltração da água. As pastagens mal manejadas e solos descobertos são mais alguns graves problemas. A cobertura do solo contribui muito para a infiltração da água. Ela diminui o impacto da chuva, promove a descompactação do terreno, propicia uma atividade biológica mais forte, melhorando a qualidade das raízes. Assim, a água se infiltra com mais facilidade, abastecendo o lençol subterrâneo”, ensina a extensionista.

Lama

O Lago de Furnas é um dos maiores reservatórios de água do Brasil e possui uma área inundada de 1.440 quilômetros quadrados, que abrangem 34 municípios de Minas Gerais. A população local é de cerca de 800 mil habitantes, que dependem direta ou indiretamente das águas do reservatório. Em muitos lugares, o lago, conhecido como “Mar de Minas”, chegou a recuar cerca de oito quilômetros, dando lugar a pasto e lama.

A crise hídrica atual e seus impactos confirmam os prognósticos do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), que deve finalizar em breve seu sexto relatório, com a participação de mais de três mil cientistas. Segundo os pesquisadores, com as mudanças climáticas, eventos extremos vão se tornar mais frequentes no mundo e com intensidades maiores. E como estamos no início do período seco, a tendência é da situação de pouca água se agravar nos próximos meses. “A previsão é de pouca chuva até novembro. Se agora já estamos com o reservatório tão baixo, imagina daqui a alguns meses. Então o cenário é muito preocupante”, lamenta Fausto Costa, secretário-executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago).

 

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Publicado em: 15/07/2021



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