Com enorme variedades, o queijo artesanal mineiro é produzido por cerca de 30 mil produtores e é celebrado no dia 16 de maio 

 

 

BELO HORIZONTE (14/5/2021) – Um dos produtos agropecuários mais característicos do estado, seja pelo seu valor econômico, social, alimentar, histórico, cultural e tradicional, o queijo artesanal mineiro tem, merecidamente, uma data pra chamar de sua. É o Dia dos Queijos Artesanais de Minas Gerais, que é comemorado em 16 de maio. A data foi instituída há quatro anos pela Lei Estadual 22.506/2017. A legislação foi um ato de reconhecimento da importância desses tipos de queijos feitos de leite cru, que não passou por processo de pasteurização. As receitas variadas seguem tradições históricas passadas de geração a geração de produtores. 

O dia e o mês escolhidos para homenagear os queijos artesanais mineiros remetem ao registro, em 2008, do Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro, da Serra da Canastra e do Salitre ou Alto Paranaíba. Naquele ano, o jeito de produzir a iguaria foi lançado na categoria Saberes, pelo Conselho Consultivo do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tendo sido o quarto bem registrado no Livro de Registro dos Saberes. Um dos queijos artesanais feitos no estado, o Queijo Minas Artesanal (QMA), é reconhecido também como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan. 

Estimativas da Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), apontam que a produção de queijos artesanais gera renda e ocupação para cerca de 30 mil famílias de todas as regiões do estado. Juntas elas produzem cerca de 85 mil toneladas do produto ao ano. Também mostram que, somente o QMA, primeiro queijo artesanal mineiro a ser regulamentado pela Lei Estadual 14.185/2002, é a fonte de renda de aproximadamente 9 mil famílias. 

Queijo Minas Artesanal (QMA) 

O Queijo Minas Artesanal (QMA) é um das muitas variedades de queijo artesanal produzido em Minas Gerais. Como outros tipos artesanais ele é feito de leite de vaca cru, sem pasteurização e costuma seguir processos tradicionais de confecção, em pequenas propriedades. “Foi o primeiro queijo a ser caracterizado no estado. O leite cru tem de ser produzido exclusivamente, na propriedade produtora. Utiliza pingo, coalho, salga a seco e passa por processo de maturação, adquirindo uma casca lisa e amarelada”, explica a coordenadora técnica estadual da Emater-MG Maria Edinice Soares. 

Estudos apontam que produtores de QMA produzem 50 mil toneladas por ano.  “A média é de 15,3 quilos por produtor ao dia. O número nos mostra que a grande maioria dos produtores é da agricultura familiar e que eles geram cerca R$ 1,1 milhão por ano (preços pagos aos produtores)”, informa o também coordenador técnico estadual da Emater-MG, o engenheiro agrônomo Milton  Nunes. 

O QMA pode ser produzido legalmente em todo o estado de Minas Gerais, mas somente os produzidos nas oito microrregiões caracterizadas (Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serras da Ibitipoca, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro) são autorizados a usarem a nomenclatura na embalagem. 

“Só pode explorar no rótulo Queijo da Canastra, Queijo do Serro, Queijo de Araxá, quem está dentro dessas microrregiões. Uma pessoa de fora pode produzir, mas não explorar o nome de nenhuma microrregião”, explica o gerente de Inspeção de Produto de Origem Animal do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), André Duch. 

Tipos artesanais 

Além das oito microrregiões produtoras do Queijo Minas Artesanal, Minas tem mais outras seis regiões caracterizadas ou seja, passaram por estudo que identificou e definiu o tipo de queijo. Essas regiões produzem os seguintes queijos artesanais: Cabacinha, Serra Geral, Vale do Suaçuí, Alagoa, Mantiqueira de Minas e Requeijão Moreno.  Hoje já se sabe que cada um deles tem características, como o sabor, por exemplo, que sofre a influência do clima e pastagem predominantes. A origem e manejo do rebanho e até o perfil do produtor também são determinantes no tipo de queijo da cada lugar.  

O queijo artesanal Cabacinha é produzido na região do Vale do Jequitinhonha. É feito de leite cru de vaca, mas a massa é aquecida, sem chegar a pasteurizar. Recebe soro fermento, retirado no final da mexedura da massa e reservado em temperatura ambiente para ser usado no dia seguinte na fabricação do queijo. É moldado manualmente em forma de cabacinha. 

Já o queijo artesanal da Serra Geral, produzido em 17 municípios da região Norte de Minas Gerais, não tem um processo definido quanto a forma de fazer, segundo a coordenadora Maria Edinice. ”Ainda está em fase de estudo, mas é feito de leite cru e coalho, sendo comercializado fresco”, diz. 

Por outro lado, os artesanais queijo do Vale do Suaçuí, queijo de Alagoa e queijo da Mantiqueira de Minas têm praticamente o mesmo modo de fazer com pequenas diferenças: leite cru de vaca, soro fermento e coalho. A massa passa por um processo de cozimento, enformagem e salga salmoura. 

Emater-MG 

A Emater-MG trabalha em parceria com o órgão estadual de inspeção sanitária, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que registra as queijarias do estado. O registro legaliza a situação dos estabelecimentos para que possam comercializar seus produtos, com segurança para o consumidor, em Minas Gerais e outros estados do país. Sendo que, para vender fora das divisas mineiras, além do registro, o produtor precisa solicitar também o Selo Arte. 

“O primeiro passo pra quem deseja legalizar o queijo que produz é procurar o escritório da Emater-MG, que o extensionista irá orientar nesse processo. O nosso papel é apoiar o produtor na organização dos documentos exigidos pelo IMA”, explica Milton Nunes. 

De acordo com  a coordenadora Maria Edinice, entre os documentos que o produtor tem de entregar ao IMA, estão um memorial socioeconômico, descrevendo toda a estrutura de queijaria e de curral, programas operacionais de higiene e sanitização e comprovante de sanidade do rebanho, entre outros. ““Hoje o IMA não trabalha mais com a figura do cadastro. Agora é registro. Você registrando sua queijaria no IMA, você pode pedir o Selo Arte”, instrui. 

Sobre o Selo Arte, Edinice esclarece também que é uma garantia a mais para o consumidor e uma forma de ampliar o alcance da comercialização para o fabricante.   “Ele veio para falar ao consumidor que aquele queijo é artesanal e segue parâmetros de legislação de boas práticas agropecuárias e boas práticas de fabricação.  E com isso, o produtor pode colocar seu produto em qualquer gôndola,  dentro e fora do estado de Minas Gerais”, justifica. 

Sabores e histórias 

Na última quinta-feira (13/5), a Emater-MG promoveu o webinar Sabores e Histórias dos Queijos Artesanais de Minas Gerais, com o jornalista gastronômico Eduardo Tristão Girão. O programa está disponível no canal do Youtube da Emater-MG, no link  https://bityli.com/p975E

  

Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Jornalista responsável: Terezinha Leite

Tel: (31) 3349-8096

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Fotos: Divulgação/Tereza Boari

Publicado em: 14/05/2021



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